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Histórias de outros tempos

A arte de reprodução de casas e objectos em miniatura, já ocasionalmente presente na Grécia e România Antigas, surgiu definitivamente no início da segunda metade do século XVI, na Alemanha. A ideia que presidiu ao aparecimento destas casas era, tão só, a de registar, para a posteridade, o estilo e o luxo das casas das famílias alemãs pertencentes às classes nobres e burguesas. A casa em miniatura construída para o Duque Bávaro, Albert V, é um dos primeiros exemplos destas peças.

Um pouco mais tarde, já no século XVII, surgem na Holanda, pela mão de estudantes de arquitectura e decoração de interiores, algumas casas em ponto pequeno. Nos finais do século XVIII, a Inglaterra e Estados Unidos são também invadidos por esta arte. É, no entanto, na era Victoriana, no fim do século XIX, que as casas de bonecas adquirem grande popularidade. É também nesta altura, que as casas em miniatura, até então designadas «Casas Bebé», passam definitivamente a ser conhecidas por «Casas de Bonecas».

Dada a preciosidade das miniaturas, as primeiras casas de bonecas alemãs e holandesas eram construídas no interior de armários. Este tipo de casas, designado «cabinet», encontram o seu expoente máximo na famosa «Cabinet House», de Sara Plos van Amstel e datada de 1745. As casas com fachada exterior, de maior realismo e autenticidade, foram introduzidas posteriormente no Reino Unido.

The Cabinet House
Sara Plos van Amstel

Em 1920, um episódio curioso fez surgir uma das casas de bonecas mais especiais de sempre. Como a Rainha Mary do Reino Unido era uma ávida coleccionadora de miniaturas, um primo do Rei Jorge V confiou a um dos arquitectos mais prestigiados da época, Sir Edwin Lutyens, a construção de uma casa em ponto pequeno. Embora surpreendido com a originalidade do pedido, o arquitecto aceitou o projecto com grande entusiasmo e dedicação. "Conceberemos e construiremos algo intemporal, que mostre às gerações futuras como vivia um rei e uma rainha no século XX", terá revelado ele. A afirmação reflecte o modo como o projecto foi conduzido: foram necessários 4 anos e mais de 1.500 contribuições de lojistas, artistas e artesãos, para que a casa fosse, finalmente, apresentada à Rainha.

The Queen´s Mary DollsHouse
Construção 1920-24
Sir Edwin Lutyens

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Construída numa escala 1/12, a casa de bonecas da Rainha tinha tudo o que a sua verdadeira casa teria na época: uma máquina de costura da Singer, garrafas de champanhe autêntico da Veuve Clicquot and Mumm, relógios da Cartier, peças em porcelana da Doulton, lenços bordados com o monograma real, e ainda carros da Rolls Royce e da Daimler. Um dos livros da biblioteca continha ainda uma história, de cerca de 500 palavras, escrita propositadamente para o efeito por um dos romancistas da época. O delicado mobiliário era de madeira exótica e, para o chão da casa de banho, foi escolhida madrepérola. A casa encontra-se actualmente em exposição no Castelo de Windsor.

The Thorne Rooms
English Drawing Room of the
Georgian Period, c. 1800

Construção 1937-40
James Ward Thorne

The Thorne Rooms
Dining Room from the
Harrison Gray Otis House in Boston, c. 1795
Construção 1937-40
James Ward Thorne

Foi aproximadamente nessa altura, que a americana James Ward Thorne, começou a sua impressionante colecção de miniaturas. Em 1930, a depressão económica e a necessidade de alienação de bens com valor por parte de algumas famílias ricas, permitiu a James Ward Thorne adquirir uma infinidade de miniaturas a baixos preços. As miniaturas eram tantas que, por uma questão de comodidade, James optou por dispor as suas miniaturas em pequenos compartimentos. A preciosidade dos conjuntos era tal que, em 1932, foram expostas ao público, a 1ª série de 30 colecções. Actualmente, a colecção «The Thorne Rooms» reúne 68 dos seus melhores ambientes construídos entre 1937 e 1941 e está exposta no Instituto de Arte de Chicago

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